Depressão e ansiedade
DEPRESSÃO – Sugestões reais para um caso clínico real
quinta-feira, setembro 20th, 2012Publico aqui esta troca de emails, real, sob permissão dos envolvidos, no intuito de eventualmente ajudar pessoas com o mesmo problema.
Um abraço
Ícaro
* Como a postagem está da mais recente para a mais antiga, de forma a justificar a publicação aqui no site, para ordem cronológica sugiro ler de-baixo-para-cima *
Em 20/09/12, XXX escreveu:
Sim. A cura passa necessariamente por ela. É difícil convencê-la disto neste estado de confusão e desordem mental, mas reafirmo isto todo dia e tenho fé que ela irá reagir.
Pode colocar o caso no site sim, desde que preservada nossa identidade. Pode ser útil para alguém que esteja passando pelo mesmo problema e nestas horas todos merecem encontrar auxílio.
Abraços,
XXX
_____________________
Em 20 de setembro de 2012 10:26, Icaro <icaro.aa@gmail.com> escreveu:
Agora é com vocês e acredito que tudo o que orientei possa MESMO ajudar mas só se a maior interessada no sucesso de tudo, na sua cura, ajudar de verdade: sua esposa. Espero que ela colabore, portanto.
Um abraço
Ícaro
* Permite-me retirar os nomes e colocar tudo isto na seção de perguntas e respostas do meu site?
_____________________
Em 20/09/12, XXX escreveu:
Dr. Ícaro,
Agradeço profundamente sua ajuda.
Tentarei me informar ao máximo, seguindo as instruções iniciais que me forneceu e farei o que for possível para ajudá-la.
Espero voltar a contactá-lo para agradecer por ter sido decisivo na cura da minha esposa.
Sobre a questão religiosa, temos também tentado dar ênfase à este lado e entendemos que esta doença tem um forte caráter espiritual e que a força da fé pode ser um impulso para vencer este mal.
Que Deus o abençoe.
Grande abraço,
XXX
_____________________
Em 20 de setembro de 2012 10:16, Icaro <icaro.aa@gmail.com> escreveu:
Olá XXX
Realmente não posso prescrever por aqui, por proibição do Conselho Federal de Medicina, mas permita-me algumas sugestões:
1 – Ela PRECISA de bom apoio psicológico
2 – Estimular a adoção e manutenção de lado religioso atuante pode ajudar
3 – Busque por depressão, ansiedade e mesmo pânico no meu site www.icaro.med.br – Há muito material lá que pode ajudar, sobretudo no que tange a neurotransmissores
4 – Acredito que a melatonina à noite possa ajudar
5 – Talvez algum “calmante natural”, como passiflorine e maracugina ajudem; também há o hypericum perforatum como alternativa aos antidepressivos convencionais
6 – Busque por alimentos que possam fornecer Triptofano, Tirosina, vitaminas do complexo B e Magnésio… devem ajudar. E acredito que uma planta chamada Mucuna Pruriens também deva ajudar, junto ao conceito de “adaptógenos”
7 – Quanto melhores forem os hábitos de vida da sua esposa, melhor será a recuperação dela (aliás, impossível a recuperação sem o máximo possível deles). Falo exaustivamente deles no meu site, sobretudo no artigo “A Base de Tudo”
8 – Sugiro dosagens hormonais completas, já que várias devem estar alteradas (e neste caso só antidepressivos não devem ajudar), a exemplo de progesterona, testosterona e DHEA
* Ressalto que tudo acima deve passar pelo crivo do médico e demais profissionais de saúde que venham a acompanhar sua esposa: são só sugestões, visando ajudar *
Bem… Agora você tem muito o que estudar por aí e desejo de coração sucesso para você e sua esposa; e saúde.
Abraço
Ícaro
_____________________
Em 20/09/12, XXX escreveu:
Olá,
Sou de YYY e cheguei a trocar alguns tweets com você ontem. Sei que por questões éticas você está impedido de “consultar” à distância e a última coisa que quero é trazer-lhe qualquer tipo de problema neste sentido. Sou advogado e também tenho um código de ética e conduta rigoroso a respeitar. Contudo, ressalto que o caso que relatarei a seguir, já está sob acompanhamento de um médico, portanto, o que peço aqui seria apenas uma dica/conselho e não uma posição oficial de um profissional. Espero que possa me ajudar em algo.
Minha esposa está passando por uma aguda e profunda crise depressiva. Apresenta todos os sintomas clássicos de depressão grave (tenho lido bastante a respeito), incluindo tristeza, choro recorrente, taquicardia, pânico acordando assustada várias vezes durante a noite, sonolência durante o dia, perda de apetite, desesperança, falta de ânimo para tudo – principalmente continuar a viver, sente-se culpada por coisas que obviamente não é, sente-se incapaz de realizar coisas cotidianas, sente-se inferiorizada física e intelectualmente, diz frequentemente ter vontade de nunca ter existido e só não pensa em por fim a vida para não levar sofrimento a mim e aos seus familiares. Envergonha-se de estar passando por isto e não fala a respeito com ninguém. Apenas eu tenho sido se companheiro nesta luta diária. Ela me proibiu de contar inclusive para sua família porque não quer ser vista como uma fracassada e também teme pela saúde de sua mãe que eventualmente também sofre transtornos depressivos.
Ela iniciou no último dia 09/09 um tratamento medicamentoso prescrito por psiquiatra. Está tomando o antidepressivo Sertralina e concomitantemente, Diazepan, para conseguir dormir um pouco mais tranquila (ela reluta em tomar o Diazepan, mas nas noites que não toma é atormentada por insônia e acorda sempre aterrorizada). Os efeitos do antidepressivo ainda não vieram e pelo que li, pode demorar até 14 dias, não é mesmo?
Sei que não é elegante nem tão pouco correto pedir “conselhos médicos” por e-mail, mas o caso é desesperador e na minha ânsia por ajudá-la estou disposto a bater em todas as portas, mesmo que algumas não se abram.
Como sou o único do círculo social dela que sabe da doença, tenho feito um papel de psicólogo, sem contudo ter habilidade técnica para tanto. Tenho animá-la sem pressioná-la, demonstrar que os sentimentos/pensamentos confusos que ela tem tido são em função da doença e dado total apoio e carinho em abundância. Mas cheguei ao meu limite. Não sei mais o que fazer além disso.
Cada dia é uma nova luta. Ela trabalha em dois locais. Pela manhã, na prefeitura de uma cidade, onde é concursada e à tarde/noite em outra cidade numa drogaria (ela é farmacêutica). Os dois trabalhos são estressantes e podem ter sido o estopim que desencadeou a crise.
Ela fala que não está satisfeita com a vida, com a profissão que escolheu, que quer largar tudo e mudar de área, mas tenho dito a ela que neste momento o importante é se curar… que não é hora de tomar decisões tão importantes. Além disso ela faz uma pós graduação virtual que é cheio de metas e cobranças e isso tudo a deixa muito pressionada.
Ela tem uma resistência por psicoterapia. Já consultou com psicólogos quando teve uma crise semelhante há uns 4 anos atrás. Reclama que não faz diferença, que as pessoas ficam só querendo ouvi-la e que ele prefere alguém que fale com ela. Ainda terei que convencê-la a se submeter ao tratamento deste tipo, mas ela já disse num momento de mais calma que faria isso por mim.
Preciso ajudá-la. Preciso de sua ajuda. Preciso tentar todas as armas disponíveis.
Minha pergunta é: Existe algo mais que eu possa fazer para ajudá-la? Algum alimento que pode favorecer como coadjuvante do tratamento que ela já faz com o médico? Qualquer coisa. Eu imploro por ajuda/orientação.
Agradeço antecipadamente
XXX
3 MITOS em Saúde – Antidepressivos e calmantes
quinta-feira, março 22nd, 20123 MITOS em Saúde – Antidepressivos e calmantes
Aqui e na Liga da Saúde já falamos sobre os 3, mesmo que “de leve”, mas achei por bem aprofundarmo-nos um pouco… Até porque em consultório têm sido raros os pacientes que não têm dúvidas ou conceitos inadequados sobre pelo menos um destes assuntos (a maioria, sobre todos).
MITO: “O principal no tratamento para depressão/ansiedade são antidepressivos/ansiolíticos”
Sinceramente, VOCÊ conhece alguém que já se curou de ansiedade, depressão ou transtorno do pânico (chamarei daqui por diante de ADTP, pra facilitar – não é nomenclatura oficial!) em virtude do tratamento com antidepressivos ou ansiolíticos (também chamados de “calmantes”)? Eu não. Até porque a maioria dos antidepressivos/calmantes NÃO age nas CAUSAS de ADTP mas sim fazendo com que os neurotransmissores fiquem mais tempo na fenda sináptica ou por ação direta em receptores (respectivamente) e NÃO aumentando sua produção ou otimizando a liberação destes na fenda… Complicou? Então deixe-me explicar de forma simples:
Os estímulos nervosos são conduzidos por nervos, que são feixes de neurônios (células nervosas) funcionando juntos, de forma seqüenciada, para a condução de impulsos elétricos específicos (os estímulos nervosos, que podem ser de dor, sensações táteis, emoções, etc): ou seja, toda sensação ou emoção, para ser sentida, precisa passar de um neurônio para outro, sucessivamente. Ocorre que um neurônio NUNCA toca o outro (ou isto causaria um “curto-circuito”), ou seja, quando uma mensagem precisa ser transmitida de um para o outro, uma “ponte” precisa ser criada entre eles; esta ponte é o neurotransmissor: é liberado neste espaço de comunicação (sinapse) entre os neurônios (a fenda sináptica), permite a passagem do estímulo e depois é retirado dali (por recaptação ou mesmo destruição).
Nosso cérebro possui vários neurotransmissores diferentes: Dopamina, GABA, noradrenalina, acetilcolina… Mas o principal deles, quando o assunto é satisfação e prazer, é a serotonina; tanto é que a serotonina está envolvida, isoladamente ou em conjunto com outros neurotransmissores, em mais de 80% dos casos de ADTP. O fato é que reduções na quantidade de serotonina disponível nas fendas sinápticas (falta é o distúrbio mais comum. Excessos são algo raro) leva a ansiedade, depressão, pânico ou combinações destes, com gravidade, periodicidade e características dependentes desta quantidade.
Então se o problema é quanta serotonina há disponível, a chave do tratamento de ADTP geralmente deveria ser aumentá-la, certo (ou demais neurotransmissores)? Não é tão simples assim:
- Causas: Ou você trata-as ou o paciente vai ficar a vinda inteira dependendo de medicamentos para sentir-se melhor (A maioria dos antidepressivos/calmantes NÃO age nas CAUSAS de ADTP”, lembra-se?), uma vez que o fator que leva à redução da serotonina disponível continua presente. Stress e má alimentação (junto a distúrbios hormonais e tendências “genéticas” individuais para ADTP), por exemplo, são os mais importantes fatores que reduzem a serotonina: a má alimentação porque reduz a biodisponibilidade de precursores necessários à fabricação de serotonina (sim, a matéria-prima para a fabricação de tudo no organismo vem da alimentação adequada!) e o stress porque cronicamente vai consumindo tanto a matéria-prima para fabricação de neurotransmissores (por exemplo, de forma importante a vitamina B6 e o Magnésio), quanto estes em si, ao mesmo tempo em que perturba o equilíbrio hormonal (e distúrbios hormonais são fatores importantes indiscutíveis na causa, manutenção e piora de ADTP)
- Produção: São 5 os ingredientes básicos que o cérebro deve receber para produzir sua serotonina – Triptofano (aminoácido), Vitamina B6, Ácido Fólico e Magnésio, na presença de um pouco de carboidratos. A falta de apenas UM destes impede a síntese de serotonina pelo cérebro. Ocorre que a maior parte da população mundial tem carência destes na sua alimentação, sobretudo vitaminas do complexo B e magnésio e o Stress (talvez um dos distúrbios mais freqüentes na humanidade) ainda compete por eles
- Recaptação: Como já dito, uma das estratégias mais utilizadas pelos medicamentos é reduzir/inibir a recaptação dos neurotransmissores na fenda sináptica, pela crença de que isto deixaria mais deles disponíveis para agir e por mais tempo. A questão é que o neurotransmissor foi feito para ser liberado, agir e ser removido, certo? Até porque quando fica tempo demais na fenda, também pode levar a formas de ADTP (por exemplo, pacientes deprimidos que com o uso do medicamento vão se tornando cada vez mais ansiosos).
- Ação direta: Várias drogas (sobretudo os benzodiazepínicos, “calmantes”) agem direto em receptores, sobretudo do neurotransmissor GABA, seja estimulando-o ou bloqueando-os – Neste caso, outro problema vem à tono: como controlar adequadamente o grau deste efeito direto e lidar com a necessidade de doses cada vez maiores para obtê-lo?
Mas quantos tratamentos convencionais para ADTP você conhece que contemplam estas questões BÁSICAS? Porque posso estar errado mas o que mais vejo por aí é o medicamento ser prescrito cedo demais, quando a recomendação da literatura é clara: deve ser adjuvante do tratamento das causas e não algo “perpétuo”; em outras palavras, reduzir o stress, ter bom acompanhamento psicológico e alimentação adequada (ou mesmo associada a boa suplementação) têm mais chances de tratar com sucesso (e sem causar dependências) ADTP que o uso isolado de medicamentos: só não vê quem não quer…
Em síntese, não só para ADTP mas para qualquer distúrbio, abordar os sinais e sintomas visando o alívio do paciente é nobre e muitas vezes necessário mas se a CAUSA deles não for tratada ao mesmo tempo o paciente não obtém cura ou sustentada/progressiva melhora e assim vai ficando cada vez mais dependente da medicação para sentir-se bem; e convenhamos: que medicina é esta que “transforma” portadores de desequilíbrios orgânicos, por vezes transitórios e/ou autolimitados em dependentes químicos?
Mas é claro, tudo isto é só a MINHA opinião “superficial” sobre o assunto (quer entender melhor? Estes textos simples e didáticos devem ajudar http://saude.hsw.uol.com.br/antidepressivos.htm e http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=269); pergunte, leia, pesquise, estude, pergunte e forme a sua própria: afinal, se juízo critico é sempre importante, imagine quando é da sua Saúde que estamos falando…
Na próxima semana falarei sobre o mito:
“O tratamento do hipotireoidismo é sobretudo via reposição de T4 sintético da tireóide Levotiroxina, disponível comercialmente em 4 formas (Levoid, Synthroid, Euthyrox e Puran T4)”
Lembrando que na semana passada falei sobre este mito:
“Colesterol tem que ser baixado (e mantido “baixo”) “de qualquer forma”
Um abraço e está aberta a discussão… Até breve!
Dr. Ícaro Alves Alcântara
www.icaro.med.br
Depressão/ansiedade/pânico ou carência de nutrientes?
sexta-feira, novembro 18th, 2011Depressão/ansiedade/pânico ou carência de nutrientes?
Tenho uma reflexão para propor (sem a mínima pretensão de esgotar o assunto ou de ser o dono da verdade…):
Estudos mostram que a maioria dos casos de transtornos de depressão, ansiedade ou mesmo fobias/pânico está associada a baixos níveis de serotonina, importante neurotransmissor (Em breve vou escrever artigo sobre neurotransmissores mas, por hora, saiba um pouco mais sobre eles aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurotransmissor): se ela está em baixa quantidade, ou sua produção está insuficiente ou seu consumo, excessivo (o que o stress, de fato, realmente causa); de qualquer forma, uma necessidade é objetiva: fornecer serotonina para o cérebro. Só há um problema aqui: a serotonina não entra no cérebro se produzida fora dele: ou entram os nutrientes e ele sintetiza-a ou não passará “prontinha” pela barreira hematoencefálica. E não adianta pensar nos antidepressivos nesta hora, já que eles NÃO estimulam a produção de neurotransmissores mas tão somente reduzem a destruição destes (ou seja, em caso de baixa produção não corrigida, dificilmente estes atingirão níveis satisfatórios “espontaneamente”).
Voltemos então aos nutrientes… A serotonina é composta basicamente por Magnésio (estima-se que cerca de 70% da população mundial tem carência deste), Ácido Fólico, Vitamina B6 e o aminoácido L-Triptofano (estes últimos com evidências de insuficiência em pouco menos de 50% da população): se você não faz um bolo sem os ingredientes necessários, por mera analogia já deve ter entendido a dificuldade que a maioria de nós humanos tem de sintetizar serotonina, não é? Faltam os ingredientes!
Então, como humanidade, contemplemos o tamanho do problema:
- Somos cada vez mais estressados e o stress “esgota” a serotonina;
- E comemos mal, o que prejudica a entrada no organismo dos nutrientes necessários para que ele fabrique a serotonina que precisa;
- Tomamos pouca água e fazemos pouco exercício físico regular, o que prejudica a circulação e biodisponibilidade dos nutrientes absorvidos…
E ainda tem gente que acha que depressão, ansiedade ou mesmo fobias/pânico são tratados PRINCIPALMENTE através de antidepressivos…
Um abraço
Ícaro Alves Alcântara
Twitter: @qualidade_vida
Algumas palavras sobre DEPRESSÃO (também ANSIEDADE, PÂNICO e distúrbios diversos similares)
domingo, abril 17th, 2011Algumas palavras sobre DEPRESSÃO (também ANSIEDADE, PÂNICO e distúrbios diversos similares)
Via Twitter (o meu é @qualidade_vida) sigo excelentes profissionais de todo o Brasil e um deles postou há alguns dias o link para a interessante matéria abaixo. Leiam e permitam-me depois falar um pouco sobre o assunto.
- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – -
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/antidepressivos.htm?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
Quais efeitos colaterais os antidepressivos causam a longo prazo?
por Joel Rennó Jr.
Resposta: Os antidepressivos são medicamentos ou drogas que agem no sistema nervoso, cuja função é normalizar o fluxo de neurotransmissores, que são moléculas responsáveis pelo impulso nervoso de um neurônio para o outro.
Os neurotransmissores saem de um neurônio, atravessam a sinapse (espaço entre dois neurônios) e ativam os receptores do neurônio seguinte. Os neurotransmissores mais importantes são: serotonina, noradrenalina, dopamina, acetilcolina e GABA.
Os mecanismos de ação são distintos de um antidepressivo para outro. Há várias e diferentes classes. Há os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram e o escitalopram). Há os antidepressivos que inibem a recaptura tanto de serotonina, quanto de noradrenalina, conhecidos como os de duplo mecanismo de ação (venlafaxina, milnaciprano e duloxetina). Há outros antidepressivos que também atuam sobre outros neurotransmissores.
Os efeitos colaterais variam de acordo com a classe ao qual o antidepressivo pertence e também de acordo com a tolerância de cada pessoa. Os antidepressivos mais antigos, conhecidos como tricíclicos (clomipramina, imipramina, amitriptilina) costumam dar mais efeitos colaterais que os mais recentes (inibidores da recaptação de serotonina e os de duplo mecanismo de ação).
Efeitos colaterais
Entre os efeitos colaterais (variável de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de antidepressivo utilizado) que podem ocorrer temos: alteração do sono e apetite, alterações gastrintestinais (diarréia ou obstipação intestinal), retenção urinária, alergias de pele, sudorese, diminuição da libido ou retardo da ejaculação, aumento ou diminuição de peso, náusea, tontura, tremores. Inclusive, alguns deles de forma paradoxal, podem aumentar até a ansiedade e agitação nos primeiros dias de tratamento e por tempo limitado.
Os efeitos colaterais iniciais podem ser contornados e atenuados nos primeiros dias ou semanas de tratamento, o médico deve sempre ser consultado e orientar o seu paciente a respeito. Deve-se evitar a parada da medicação por conta própria. Há pessoas mais sensíveis aos efeitos colaterais, enquanto alguns não os têm. É muito individual.
Em caso da ingestão acidental excessiva, ou mesmo com o intuito de suicídio, é fundamental levar imediatamente o paciente para uma avaliação clínica em um pronto-socorro. Geralmente, dependendo da avaliação clínica e do tempo decorrido da ingestão do medicamento, uma lavagem gástrica com carvão ativado é realizada.
Em casos de intoxicação com alterações cárdiorrespiratórias e do nível de consciência, pode até ser necessária a internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Geralmente, os antidepressivos atuais são mais seguros que os antigos (tricíclicos), mesmo em ingestões consideráveis.
Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.
- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – -
DEPRESSÃO, ansiedade, transtorno de “pânico” e distúrbios diversos têm grande similaridade: em sua maioria, ocorrem e mantêm-se por problemas envolvendo os neurotransmissores; entre estes, o distúrbio mais comum é a redução da quantidade deles disponível na fenda sináptica (espaço entre os neurônios através do qual eles se comunicam ) e o que mais “dá problemas” é a serotonina (que à noite, na redução da luz ambiente, é convertida em melatonina, o “hormônio do sono”; por isso problemas com a serotonina prejudicam a melatonina e assim, afetam o sono).
Por isso é consenso que, para tratar estes distúrbios, é necessário “normalizar” os neurotransmissores na fenda sináptica. A questão é que os medicamentos disponíveis comercialmente agem sobretudo inibindo a recaptação dos neurotransmissores quando, para muitas pessoas, esta NÃO é a causa-base do distúrbio: afinal, muitas pessoas não conseguem produzir os neurotransmissores em quantidade suficiente, o que torna necessário tratamento diferenciado para elas para que sejam obtidos bons resultados.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia a resposta que forneci à pergunta que recebi há alguns meses através do meu site (ww.icaro.med.br), conforme abaixo.
E boa reflexão.
Ícaro Alves Alcântara
- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – -
Pergunta:
“Tenho 2 filhos, muito stress com trabalho e familiar, sem tempo para me cuidar. De uns tempos pra cá tenho me sentido abatida e morro de medo de depressão. Será que mesmo assim a ortomolecular pode me ajudar”?
Resposta.: Vamos por partes…
1 – Arranjar um tempinho para se cuidar é fundamental. Afinal de contas, se você adoecer terá que parar “à força” e aí quem irá cuidar de tudo o que você tem dado conta? Por isso, primeiramente, recomendo ler e procurar ao máximo seguir o que está na apresentação Viver: O que é Necessário (http://www.icaro.med.br/videos/viver-o-que-e-necessario). Afinal, é a base para o bom funcionamento do organismo, corpo e mente, sem a qual mesmo os melhores medicamentos têm dificuldade de agir.
2 – Em consultório, trabalho basicamente com ortomolecular, homeopatia e orientações em hábitos saudáveis, associando quando necessário fitoterapia, modulação hormonal e mesmo a medicina “tradicional”. Ou seja, não é só a estratégia ortomolecular em Medicina que vai ser utilizada no tratamento do seu caso (mais informações nas respectivas seções do site).
3 – Todos passamos por períodos difíceis em nossas vidas, infelizmente centenas de vezes. E é perfeitamente normal apresentar fases onde nosso humor parece estar “depressivo”. Nossa sociedade, erradamente, convencionou algo como “ficar triste é doença, que tem que ser tratada” e por isso multiplicam-se os usuários de antidepressivos e ansiolíticos (calmantes); mas o distúrbio está no estado constante de tristeza e humor “em baixa” (sobretudo se sem motivo) e não nos episódios ocasionais. Assim sendo, a primeira medida “anti-depressão” (e anti-ansiedade também) é não transformar a preocupação com sua saúde em mais um pesado fator de stress (e, por conseguinte, de doença).
Entretanto, se diagnosticada depressão (o que só pode ser adequadamente feito após avaliação detalhada e atenta), não são os antidepressivos o único recurso terapêutico. O tratamento da depressão passa obrigatoriamente por:
a. Há uma causa identificável? Então precisa ser abordada e resolvida. Ou então o paciente ficará tomando medicamentos por toda uma vida porque com eles estará só paliando sintomas. Aqui, o apoio psicológico é muitas vezes valioso, se não indispensável.
b. Em muitos casos de depressão, há falta de alguns neurotransmissores (substâncias que transmitem as diversas informações) e nutrientes no cérebro. Nestes casos, sem a reposição destes, não há possibilidade de falar-se em cura da depressão:
o Será que a dieta está adequada, fornecendo ao organismo os nutrientes necessários (por exemplo para a fabricação dos neurotransmissores)? Se não, tem que ser melhorada.
o Será que o intestino está funcionando bem e realmente absorvendo dos alimentos estes nutrientes necessários? O mal funcionamento intestinal não só reduz a absorção deles mas também aumenta a retenção de toxinas, o que pode prejudicar o funcionamento de todo o organismo (causando distúrbios).
o Será que sua circulação sangüínea está boa o suficiente para transportar os nutrientes até seu cérebro (ou onde devam chegar)? Afinal, de nada adianta absorvê-los bem mas eles não chegarem onde são necessários.
c. Como tudo no corpo, depois que os neurotransmissores cumprem sua função são inutilizados/inativados pelo próprio organismo. A maioria dos antidepressivos age reduzindo esta inutilização/inativação, assim deixando-os agir por mais tempo.
Espero que tenha ficado claro que para tratar um quadro de depressão, muito mais tem que ser considerado que só administrar antidepressivos. E é exatamente por isso que tanta gente experimenta insucesso nos seus tratamentos, tanto de depressão quanto de ansiedade.
Mas fuja dos rótulos! Por que é tão importante assim que você necessariamente tenha um nome para o seu conjunto de sinais e sintomas atual? Na minha opinião:
- Procure pelas causas e agravantes psicológicos do seu quadro clínico, trabalhando para resolvê-los;
- Arranje tempo para cuidar de você mesma e sua saúde, em todos os níveis (lembre-se que, se você adoecer, será obrigada a conseguir este tempo, até de forma mais urgente);
- Corrija erros nos seus Hábitos de Vida (http://www.icaro.med.br/videos/viver-o-que-e-necessario);
- Trate-se;
Por fim, respondendo à sua dúvida: SIM, a ortomolecular (junto à homeopatia e Hábitos Saudáveis de Vida) pode te ajudar. Mas só teremos certeza disso após avaliação e acompanhamento em consultório.