Neurotransmissores
Modulação hormonal BIOIDÊNTICA, exames e suplementação gerais – Quando fazer?
quarta-feira, fevereiro 15th, 2012PERGUNTA:
Em 14/02/12 XXX escreveu:
Boa tarde dr. Icaro,
Eu solicitei o orçamento daquela leva de vitaminas que me solicitaste
e queria ver com o senhor, se precisarei de hormônios bioidênticos, já que desejo realizar a modulação hormonal.
Eu pergunto porque quero comprar tudo junto para facilitar no pagamento.
Acha melhor esperar e comprar tudo junto ou preciso estar com o corpo já equilibrado em termos de vitaminas e minerais para iniciar a modulação hormonal.
Obrigada
XXX
RESPOSTA:
Presumo que você esteja me perguntando o que EU julgo ideal já que, a rigor, a decisão é sua… Então vamos lá:
Na minha opinião, portanto, em linhas gerais:
1 – Acredito que todo paciente deva, primeiro, melhorar o máximo que lhe for possível acerca dos seus HÁBITOS DE VIDA ( http://www.icaro.med.br/a-base-de-tudo/ ), tornando-os os mais saudáveis possíveis. Isto porque esta simples medida, mesmo que progressivamente adotada, cura ou melhora sinais/sintomas/distúrbios/doenças, assim evitando tratamentos (por exemplo medicamentosos) e exames específicos que seriam até desnecessários (ou mesmo danosos, em alguns casos); ou seja, após a melhoria dos hábitos muitos sintomas e doenças tendem a desaparecer ou não mais terem tanta relevância no contexto de atenção e planejamento terapêutico. Em outras palavras: bons hábitos dão condições para o seu organismo de ele mesmo reequilibrar-se e assim tratar seus próprios desequilíbrios, através por exemplo da otimização da absorção e chegada de nutrientes onde são necessários, desintoxicação, combate ao stress oxidativo excessivo, etc.
* É claro que em uma situação de urgência/emergência, freqüentemente não é possível aguardar pela melhoria dos hábitos de vida MAS isto é SEMPRE desejável, já que impacta o potencial de recuperação do organismo.
** Nesta primeira etapa, para alguém que minimamente tenha bons hábitos de vida OU comprometa-se a rapidamente melhorar os principais, suplementação direcionada de nutrientes pode ser bastante útil, benéfica e mesmo necessária.
2 – Após esta melhoria dos hábitos, portanto, está o momento ideal para realização de exames complementares, que agora sim irão mostrar mais exatamente em que o organismo ainda precisa de apoio para recuperar-se e funcionar melhor. Antes disso, se fossem realizados, poderiam levar até a condutas desnecessárias e mesmo equivocadas, como já explicado em epígrafe.
3 – A modulação hormonal BIOIDÊNTICA e de neurotransmissores ajuda MUITO, quando bem indicada, mas para ela tenho apenas 5 observações que julgo importantes:
- Não recomendo que seja feita até que o paciente melhore seus hábitos ou poderá ser embasada em quadro clínico não confiável;
- Recomendo que seja feita baseada na dosagem adequada e completa dos hormônios, sempre lembrando que um afeta o outro, ou seja, quanto mais deles forem dosados, melhor;
- Para aqueles hormônios/neurotransmissores que não podem ser dosados (a exemplo de melatonina, GABA, etc), buscar quadro clínico realmente verossímil já que sua indicação terá que ser pautada prioritariamente em sinais e sintomas relatados pelo paciente;
- Nas raras vezes em que exames bem indicados não sejam condizentes com o quadro clínico do paciente, devemos sempre lembrar que é o paciente quem deve ser tratado, em suas queixas e mesmo doenças e não “um pedaço de papel” – afinal, como diz um velho axioma da Medicina, “a clínica é soberana”.
- Hormônios e neurotransmissores, nem qualquer tipo de medicamento/remédio, sozinhos, NÃO são “a salvação” de ninguém: Saúde é uma condição sempre dependente do grau de compromisso do indivíduo com sua própria qualidade de vida e bem-estar.
Espero ter ajudado na sua decisão!
Um abraço!
Ícaro
Depressão/ansiedade/pânico ou carência de nutrientes?
sexta-feira, novembro 18th, 2011Depressão/ansiedade/pânico ou carência de nutrientes?
Tenho uma reflexão para propor (sem a mínima pretensão de esgotar o assunto ou de ser o dono da verdade…):
Estudos mostram que a maioria dos casos de transtornos de depressão, ansiedade ou mesmo fobias/pânico está associada a baixos níveis de serotonina, importante neurotransmissor (Em breve vou escrever artigo sobre neurotransmissores mas, por hora, saiba um pouco mais sobre eles aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurotransmissor): se ela está em baixa quantidade, ou sua produção está insuficiente ou seu consumo, excessivo (o que o stress, de fato, realmente causa); de qualquer forma, uma necessidade é objetiva: fornecer serotonina para o cérebro. Só há um problema aqui: a serotonina não entra no cérebro se produzida fora dele: ou entram os nutrientes e ele sintetiza-a ou não passará “prontinha” pela barreira hematoencefálica. E não adianta pensar nos antidepressivos nesta hora, já que eles NÃO estimulam a produção de neurotransmissores mas tão somente reduzem a destruição destes (ou seja, em caso de baixa produção não corrigida, dificilmente estes atingirão níveis satisfatórios “espontaneamente”).
Voltemos então aos nutrientes… A serotonina é composta basicamente por Magnésio (estima-se que cerca de 70% da população mundial tem carência deste), Ácido Fólico, Vitamina B6 e o aminoácido L-Triptofano (estes últimos com evidências de insuficiência em pouco menos de 50% da população): se você não faz um bolo sem os ingredientes necessários, por mera analogia já deve ter entendido a dificuldade que a maioria de nós humanos tem de sintetizar serotonina, não é? Faltam os ingredientes!
Então, como humanidade, contemplemos o tamanho do problema:
- Somos cada vez mais estressados e o stress “esgota” a serotonina;
- E comemos mal, o que prejudica a entrada no organismo dos nutrientes necessários para que ele fabrique a serotonina que precisa;
- Tomamos pouca água e fazemos pouco exercício físico regular, o que prejudica a circulação e biodisponibilidade dos nutrientes absorvidos…
E ainda tem gente que acha que depressão, ansiedade ou mesmo fobias/pânico são tratados PRINCIPALMENTE através de antidepressivos…
Um abraço
Ícaro Alves Alcântara
Twitter: @qualidade_vida