REFLEXÕES baseadas em evidências e BOM SENSO

(por Dr. Ícaro Alves Alcântara)

 

 

A ciência NÃO explica tudo o que existe: peça para o melhor cientista do mundo explicar Deus (se ele não acreditar, de onde vem tudo é quem comanda a mecânica universal de funcionamento das coisas), Amor de mãe, alterações na molécula da água mediante os padrões energéticos a que é submetida, pressentimentos, Espíritos, etc – você verá como ele se enrola todo e acaba por dizer que “nada disto é ciência”. Ou seja, MUITO do que nos cerca, simplesmente, foge da “necessidade” do crivo da ciência mas nem por isso perdeu sua utilidade…

NÃO explica por que:

– Nem tudo é explicável pelo conhecimento científico atual, que pode (e deve mesmo) ser atrasado demais para compreender vários fenômenos, como historicamente ocorreu e ocorre com frequência, com “verdades absolutas” em uma época serem consideradas erradas e até absurdas décadas ou séculos após, quando o “conhecimento científico” evolui, amadurece e retifica o que é vigente.

– Interesses econômicos em que tudo fique como está: por exemplo, você acha quem investiu “uma fortuna” em um mamógrafo quer que na atualidade a confiabilidade e adequação da mamografia esteja em cheque? E você acha que a indústria do petróleo quer mesmo que aumente a pesquisa, desenvolvimento e uso de combustíveis alternativos? Quanto a “estudos científicos” Você acha mesmo que o que “não dá dinheiro” será tão extensamente pesquisado, financiado e divulgado, confiavelmente, quanto o que dá? Você acha que há mais pesquisas sobre Hábitos saudáveis de vida ou remédios para tratar doenças? Sobre prevenção, cura ou tratamento? Paciente curado deixa de ser cliente da Indústria da Doença… Fora os estudos não confiáveis, com resultados manipulados ou divulgados de forma a induzir a conclusões específicas, conflitos de interesses, etc

– “Segurança” do “porto” seguro que o tradicional provê – quem opta por simplesmente aceitar e propagar o tradicional como ele é, sem questionar, sempre encontra uma maioria assim e acaba sentindo-se algo confortável em “ser aceito” e não ser atacado. Ademais, se as coisas não evoluírem, quem fica no “tradicional” experimenta a comodidade de poder continuar usando na sua teoria e prática diária o que aprendeu na faculdade, “sem tirar nem por” (afinal, estudar, atualizar e por isso mudar “pra que”? Dá trabalho) por décadas

– Ambientes multifatoriais : a grande maioria dos estudos tira conclusões acerca de situações muito específicas que raramente podem ser reproduzidas nos seres humanos em sua vida diária submetida a stress, fatores externos múltiplos hábitos de vida, distúrbios e doenças preexistentes,… Por exemplo, um estudo que diz que vitamina E é perigosa para X e “não funciona” em Y raramente leva em consideração o status preexistente nutricional dos envolvidos, como é a alimentação de cada um, o equilíbrio com demais vitaminas e antioxidantes, o nível de stress a que cada um foi submetido (sim, isto afeta muito o consumo de reservas inclusive vitaminas), que vitamina E foi utilizada (há várias formas, com diferenças em algumas das suas ações e interações)

– Se a ciência atual parece que só acredita no que tem “evidências comprovando”, pergunto-me qual é o valor da experiência já acumulada… Na Medicina fala-se muito em Medicina Baseada em Evidências mas curiosamente nesta valoriza-se pouquissimo a experiência prática acumulada ou a existência até de milhares de casos de sucesso de algo, se não houverem “estudos duplo cegos randomizados placebo controlados” benzidos, indexados e atestados, etc… Por exemplo, se uma substância milenarmente utilizada para algo, com sucesso, não tiver estudos “novos” comprovando o que já se sabe, perde o status de útil e vira… Misticismo? Não mas útil? Vivemos o paradoxo de uma ciência que parece querer explicar tudo mas é cada vez mais excludente com o que lhe contrarie… Seria problema de auto-estima ou só mera tentativa de esconder o básico mesmo (que ciência não explica tudo em essência, em essência, pelo menos não nos moldes atuais)? O grande Dr. Alexandre Feldman discorre BEM sobre isto aqui: http://www.enxaqueca.com.br/blog/bom-senso-versus-medicina-baseada-em-evidencias/

Em resumo, a questão parece-me no fundo mais de bom senso mesmo: Nossa aplicação da Ciência atual deveria ser menos arrogante e entender o óbvio, que ainda não explica tudo mas que se aprender a ter humildade (também para encarar isto!) para evoluir constantemente (aceitar mais e repelir menos, aprimorando suas próprias falhas) e incorporar de verdade este status necessário de “constante evolução”, talvez algum dia consiga explicar. E que se nem tudo parece ter evidências, talvez o problema seja com o que é considerado e aceito como evidência e não com a falta em si – aliás, quem é que estipulou o que é aceitável como evidência, mesmo? E serão os responsáveis por isto totalmente confiáveis, atualizados e livres de preconceitos, com visão de futuro e da necessidade constante de evolução? Espero que sim… Pelo bem da CIÊNCIA e de todos nós, que dependemos dela. Até lá talvez, só talvez, nem tudo que seja útil será também considerado… Científico! Mas continuará tendo valor. Aceita quem quer, quando o tempo e a prática atestam.

* Aviso importante (antes que comece o MiMiMi de alguns) : Não sou contra confiar em estudos científicos, em evidências sólidas para basear a maior parte da PRATICA clínica E faço isso corriqueiramente na maioria do que posto e utilizo/indico em consultório – Recomendo que o máximo POSSÍVEL da nossa prática em saúde seja embalado mesmo. Sou contra o ABUSO, que detalho bem e claramente o que é no texto acima.

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